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[Coluna] Os atores de Hitchcock

Se as musas de Alfred Hitchcock tinham sua aparência e personalidade semelhante, não se pode dizer o mesmo de seus atores. As atrizes de seus filmes seguiam um padrão: eram sempre loiras, elegantes e interpretadas por Grace Kelly, Ingrid Bergman, Tippi Hedren e outras. Já os atores variavam entre o charmoso Cary Grant, o emocionante James Stewart e galãs como Paul Newman e Sean Connery.

Alfred Hitchcock era extremamente exigente com seus atores e muitos dos quais escalou ao longo dos anos não lhe agradaram como Gregory Peck, por exemplo. A outros se afeiçoou como Antony Perkins e outros como Montgomery Clift, apenas desprezou.

Os parceiros mais constantes do diretor eram dois grandes astros que se revezavam como protagonistas de grandes sucessos hitchcockianos: Cary Grant e James Stewart.

Cary Grant nasceu Archibald Alexander Leach na Inglaterra em 1904. Chegou aos Estados Unidos no início da década de 30, recebeu um novo nome e deu início a uma próspera e longa carreira que durou décadas, até sua aposentadoria em 1966. Archibald atuou em comédias, romances, suspenses e mesmo atuando em gêneros diferentes, sempre conseguia conservar nas telas seu maior personagem, o próprio Cary Grant. Era conhecido por sua elegância, charme e sua pinta de galanteador, declarando certa vez que ” todos os homens adorariam ser Cary Grant. Até eu.” O ator recebeu o prêmio da Academia pelo conjunto de sua carreira em 1970 e faleceu em 1986.

James Stewart nasceu James Maitland Stewart em 1908 nos Estados Unidos. Chegou à Hollywood na década de 1930 e iniciou uma parceria de sucesso com o diretor Frank Capra, com quem atuou em clássicos como  A felicidade não se compra,  Do mundo nada se leva e A mulher faz o homem. Em 1940 uniu-se a Cary Grant e Katharine Hepburn na aclamada comédia  Núpcias de Escândalo, filme pelo qual ele levou o Oscar de melhor ator em 1941. Em 1985, Cary Grant o entregou o prêmio especial por sua carreira, que continuou próspera pelas próximas décadas até sua morte em 1997.

Cary Grant atuou em seu primeiro filme com o Hitchcock em Suspeita de 1940. No filme, Grant contracena com Joan Fontaine e por mais que o diretor desejasse que Cary se revelasse o assassino no final do filme, o estúdio temia que o público não aceitasse a mudança na imagem do sempre boa -praça Cary e fez com que o diretor o inocentasse no final do longa.

Em 1946, Hitchcock juntou Cary e sua musa Ingrid Bergman para atuar em Interlúdio . Após o sucesso da parceria, Hitchcock escalou Grant para atuar em Festim Diabólico de 1948, mas quando as agendas entraram em conflito, Cary precisou se ausentar do projeto e foi escalado para o papel então, James Stewart, que viraria mais um habitual de Hitchcock.

A parceria nas telas e fora delas fez sucesso e Hitchcock resolveu chamar Stewart para mais três filmes: Janela Indiscreta de 1954 com Grace Kelly , O homem que sabia demais de 1956 com Doris Day e Um corpo que cai com Kim Novak em 1958. Enquanto isso, em 1955 foi a vez de Cary Grant retornar para protagonizar ao lado de Grace Kelly Ladrão de Casaca com o mestre do suspense.

Ainda no auge de sua carreira em 1959, Alfred Hitchcock tinha o roteiro de um futuro clássico em mãos, Intriga Internacional, para o qual ele havia chamado para protagonizar, James Stewart. Quando ele recusou foi a vez de ser substituído por ninguém mais, ninguém menos do que Cary Grant.


Muito já foi dito sobre a predileção de Alfred Hitchcock por estes dois grandes atores. Dizem que Hitchcock se identificava com Stewart, mas queria ser Cary Grant. Eles foram dois dos maiores astros de sua geração, cada um a sua maneira. James, carinhosomente chamado de Jimmy em Hollywood e era a definição de educação, honestidade e simpatia num mundo em que o sucesso subir à cabeça era mais do que fácil. Já Cary, era simpático, charmoso, conquistador e dono de um sarcasmo marcante. Com a presença de Stewart, os filmes eram mais sérios, psicológicos como Um corpo que cai e com Grant mais leves, charmosos e irônicos como Ladrão de casaca.


Não que Cary não pudesse ser sério, ou o Jimmy não conseguisse fazer piadas. Cada um com seu estilo era capaz de fazer com que os filmes de Alfred Hitchcock fossem únicos e individualmente cada um fez parte da história do outro. Os filmes de Hitchcock talvez não tivessem o mesmo brilho e fossem clássicos tão lembrados sem Cary e James e os dois por sua vez teriam uma filmografia menos ilustre sem a parceria com o mestre do suspense.

POR DANIELA MONTICO

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