Deixe um comentário

[CRÍTICA] Antes da Meia Noite (2013)

before

Até esse ano nunca tinha assistido Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) ou Antes do Pôr do Sol (Before Sunset, 2004), mas essa semana encerrei a trilogia com Antes da Meia Noite (Before Midnight, 2013). Aliás, é um pouco estranho usar ‘trilogia’ para falar de uma história que não há ação ou um mistério a ser desvendado. Mas, se você parar pra pensar, o que é um relacionamento se não uma grande aventura, né?

Before Sunrise, Antes do Amanhecer, 1995

Before Sunrise, Antes do Amanhecer, 1995

Bom, de qualquer forma, desde o filme #1 me surpreendi. Primeiro porque, diferente de tantos filmes de romance, aquele ali te colocava em uma situação com um tempo marcado e uma situação também até meio louca, imagina, descer do trem com alguém que acabei de conhecer para passar o dia inteiro passeando, confiando totalmente no instinto de que seria algo inesquecível. E cada um ir pro seu canto no final, sem sobrenomes, sem telefone ou endereço, nada, acreditando apenas no compromisso verbalizado de que se veriam dali a seis meses. Achei ótimo, mas confesso que, mais pra perto do final, já estava louca para o Jesse pegar logo o avião dele e a Celine, o trem.

Before Sunset, Antes do Pôr do Sol, 2004

Before Sunset, Antes do Pôr do Sol, 2004

E aí que o segundo já começa anos mais tarde. Acabou que Jesse estava lançando um livro cuja história era bastante familiar para Celine, o que a fez ir ao lançamento do mesmo em Paris. Dali eles vão beber um café em um lugar que parece nunca chegar de tanto que eles andam e o final é deixado em aberto, mas pode-se imaginar bem o que aconteceu. Não é surpresa dizer que, comparado ao primeiro, este deixou um pouco a desejar. Geralmente isso é comum no cinema: o primeiro é sempre o melhor; assim como o livro é sempre melhor que o filme e tal.

Before Midnight, Antes da Meia Noite, 2013

Before Midnight, Antes da Meia Noite, 2013

Agora eles estão com quarenta e poucos anos, com filhos, mantendo o mesmo ritmo de diálogo (e andanças) que antes, mas com um pouco mais de maturidade (mesmo que Jesse continue como aquele jovem americano rodando a Europa e Celine continue com o mesmo ar, dona de um espírito livre) e honestidade. E aí que vem outra surpresa. Depois de ter assistido Antes da Meia Noite, se tivesse que escolher um dos três como favorito, com certeza escolheria este.

Não sei se é porque a trilogia se encerra permitindo uma amplitude, mostrando todo um horizonte a ser visto. Ou de repente é porque este é muito mais divertido, dinâmico por causa da presença mais atuante de outros personagens, cheio de discussões e, como consequência da soma de todos esses fatores,  o cenário é muito mais familiar que os outros dois anteriores.

Duas partes do filme se destacaram. A cena do almoço/jantar e a do hotel.

A primeira, com vários casais reunidos, é interessante. É interessante ver várias pessoas, de gerações diferentes e culturas diferentes que se encontram no mesmo assunto. E achei ainda mais legal notar que às vezes uma pessoa faz tanta diferença na vida de outra que, mesmo em sua ausência física, ela está lá. Quer dizer, é fácil notar isso quando é com você ou com alguém próximo, mas ver isso na tela é diferente. Na segunda cena, uma discussão ganha o espaço. É aquela velha história de uma coisinha levar a outra e de repente BOOM! Nem se sabe mais de onde veio o soco, não se sabe mais como explicar, como reparar e a coisa fica tão confusa e tão tão real – principalmente na diferença clara entre homens (às vezes tão práticos e obtusos) e mulheres (às vezes tão loucas e… loucas, no sentido amplo da coisa).

Todos os três filmes são feitos de andanças e muitos diálogos e, como disse anteriormente, às vezes o destino parecia nunca chegar. Revendo os longas mentalmente e trazendo um pouco para a vida particular, quantas vezes um momento estava tão agradável que tudo que mais se deseja é o adiamento do fim? Como uma viagem de carro, uma tarde na praia, uma noite no bar… Ou nada disso, como quando diminuímos o passo para prolongar o papo e atrasar o ponto final.

É esta a grande sensibilidade do filme: pra quê chegar logo ao fim quando se pode viver o momento?

rebecca-4-estrelas

Anúncios

Sobre Rebecca Albino

só inventa!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: